
Ali Z é o codinome artístico do multi-instrumentista, produtor e DJ Tiago Torres, do Rio de Janeiro, Brasil. Ele começou na música aos 15 anos, tocando violão e bateria. Uma das suas primeiras bandas foi a Zabumbayê Muhammeds, com Gabriel Muzak. Atraído pelo mundo, viajou por Alemanha, França e Marrocos. “Tocava com músicos de rua, era mágico”, lembra sobre os tempos em Marrakesh. De volta ao Brasil, formou o projeto Dubon, com o saudoso Fábio Kalunga e o DJ Marcelinho Da Lua. Mais uma vez, o estilo nômade falou mais alto e Torres pegou a estrada, passando seis meses nos EUA. Depois, seguiu para a Itália e para a França, onde acabou ficando por aproximadamente dois anos. “Toquei em diversos projetos, inclusive numa banda de reggae formada por imigrantes africanos. Fui DJ também, com um repertório de reggae, drum and bass, afrobeat, funk, soul e, claro, música brasileira” recorda.
Ao retornar ao Brasil, usou a experiência e a versatilidade adquiridas a seu favor. Como baterista, tocou com BossaCucaNova, Marcelinho DaLua, Maurício Negão, Gabriel Muzak, Colorama, Carlos Posada, George Israel e Paula Morelembaum. No trombone, acompanhou Go East Orkestar, Zé Bigode Orquestra, Getúlio Côrtes e Gerson King Combo. Fez shows também com Arnaldo Brandão, Totonho & Os Cabra, Negril, Rodrigo Sha e Fausto Fawcett. Como DJ, tocou em diversas festas na sempre fértil noite do Rio de Janeiro, como a Febre, na Casa da Matriz, e foi residente do clube Melt. “Eu achava que discotecar drum and bass era como tocar bateria”, revela.
Após mais uma temporada no exterior, em Berlim, na Alemanha, decidiu investir , ao desembarcar no Brasil, em um projeto pessoal. Nasceu, assim, o Ali-Z Sound System,que tem o single “Garden Rise” como primeiro fruto. “Sampleei um loop de bateria de um LP. Depois, gravei trechos de violão, escrevi um esboço da letra e gravei a voz, tudo em um gravador Tascam 4 pistas, em fita cassette. Fui trabalhando na faixa a partir dessas bases iniciais. Refiz o sampler de bateria no Pro Tools. Gravei hi-hat, pratos e editei tudo, o que descaracterizou bastante o original. Gravei guitarra, baixo, percussões, voz principal e coro. Escrevi o arranjo de naipe de sopros, gravei o trombone e o Victor Lemos gravou o sax tenor. Produzi e gravei tudo no meu home-studio, exceto o baixo que foi gravado no estúdio do Marcito Vianna, o DubMonster Studio, ele me deu essa força e também ajudou na sessão de gravação do naipe de sopros. A arte da capa, eu mesmo pintei e terminei no Photoshop, o que me reconectou com uma faceta de artista plástico que andava adormecida”, conta ele.
De acordo com Tiago/Ali-Z, a letra de “Garden Rise” fala sobre encontros e desencontros e sobre um relacionamento: “Quis começar esse projeto com essa música porque ela tem um grande significado pra mim e ‘congela’ um momento na minha história. Eu escreví em inglês porque era a língua que a gente se comunicava melhor”.
Por Carlos Albuquerque
